Este Blog nasceu com uma finalidade: relaxar. Duas amigas, sem cobranças, sem metas, sem datas, compartilhando o que houver de momentâneo. Comidas, maquiagem, militância, jogos, música, sentimentos, momentos, esquisitices e afins, vai estar tudo aqui, com o melhor do gostinho que só Salvador sabe temperar as coisas. Então quando você achar que precisa TAKE IT EASY, estaremos aqui.
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PRECISAMOS FALAR SOBRE NORMATIVIDADE

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

     Acabei de ler uma matéria falando sobre uma religiosa norte americana, que se afastou da sua doutrina por sua filha, de cinco anos, ser transgênero. Primeiro ponto: transgênero é designação normativa pra enquadras as pessoas que são "normais" das que não são. NORMATIVIDADE em escala básica, partindo do princípio de que os termos utilizados sempre buscam desviar a verdade sobre. Segundo ponto: a matéria dizia que desde os dois anos, o garoto chamado de J não se sentia um garoto, não se enquadrava nos padrões do que é ser um garoto. Mais uma vez sob o ponto de vista normótico construído pela sociedade heterocêntrica bizarra.
     Quando um garoto de dois anos não se sente um garoto tem uma explicação básica para isso: ele não é um garoto. Parece simples né? Falta convencer os bilhões de indivíduos do planeta Terra. Nessa história ainda existe o embate com a escola da menina (de cinco anos), em que o diretor não permite que ela use o banheiro feminino, mas porque não se ela é uma menina? Não dá pra explicar, coube a ele uma chuva de preceitos religiosos cuspidos ao longo da matéria mostrando a visão extremamente preconceituosa de uma pessoa vivendo no século XXI.
     O terceiro ponto que eu preciso comentar com vocês é de como a mãe dele descreve que foi uma grande SUPERAÇÃO pra ela aceitar a sua filha, por ter visto ela rezar para morrer certa vez, isso a sensibilizou. Ora, mas se ela não quisesse morrer você continuaria julgando-a? Olha bem pra essa história e pensa: se uma garota de cinco anos não é aceita, pensa em uma mulher que precisa estar envolvida em uma série de relações sociais? Se isso acontece nos Estados Maravilhosos Unidos da América, a ponta econômica do iceberg, como aconteceria uma coisa dessas no Brasil? 
     A finalidade principal é dizer: nem tudo que é considerado NORMAL, é positivo. Precisamos olhar pro passado pra enxergar que as coisas que nos são impostas não são construções populares, não são construções de uma sociedade igualitária, são construção do que diz os opressores sobre o que são os oprimidos. Sempre foi quem está "lá em cima" dizendo tudo sobre quem está "lá em baixo". Eu ainda não conheço uma definição socialmente aceita de quaisquer que seja o fator que tenho sido desenvolvida pela "plebe".
     O que é necessário perceber nesse momento é que nem tudo que tá ai evidente na sociedade deve ser aceito e abraçado. Estamos dispondo agora de um conhecimento que não nos era dado anteriormente, temos a possibilidade de enxergar que nem tudo é o que parece e de quebrar os muros que estão sendo construídos à séculos ao nosso redor. Não vamos nos encaixar nos padrões, pois os padrões não foram feitos pra nós. Cada pessoa tem sua individualidade e se não caminharmos para a ruptura da normose nos manteremos na tão popular "vida de gado".
     O papo é sério mais extremamente necessário, posso passar a semana inteira escrevendo esse post, mas me fiz básica e sucinta pra que a gente comece a pensar por essas coisas que passam despercebidas por nós. Minhas tulipas, vamos mudar o mundo? Um beijo, um Xêro, e sintam-se todos abraçadys. 

Precisamos falar sobre Afroconveniência

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Primeiramente: respeite o local de fala dos negros. Grata

     Vamos falar de coisa séria minhas tulipas, o assunto hoje é Afroconveniência, esse termo novo que vem circulando as mídias ultimamente. Primeiramente o que é a afroconveniência? A afroconveniência, como sugere o termo, nada mais é do que declarar-se afrodescendente quando conveniente. Esse termo é bastante usando quando falamos do sistema de cotas no Brasil, devido a autodeclaração individual, onde quando necessário utilizam da árvore genealógica para declarar-se negro e ter direitos sobre as cotas reservadas para pretos e pardos (segundo o IBGE).
     A primeira coisa que sempre ouço falar é: "mas não deve ter esse brasileiro que não tenha um negro na história da família, afinal somos miscigenados". Essa afirmação tá corretíssima, mas precisamos falar primeiramente de como é importante o sistema de cotas, que funciona como um mecanismo de reparação das disparidades entre oportunidades e "viabilidade" de acesso a determinados setores quando dividimos a sociedade em negros e brancos. O que envolve por sua vez acesso a educação, saúde, segurança, cultura, lazer, e fatores diversos que distanciam uns e aproximam outros de oportunidades como ingressar no mercado de trabalho e universidades. 
     Paremos pra pensar um pouquinho, se o Brasil é um país miscigenado, porque ainda ouvimos falar de tantos casos de racismo? Explico rapidamente: diferente do que aconteceu nos EUA no período do apartheid, as definições de etnia no Brasil são pautadas na cor da pele e nas expressões fenotípicas características do povo negro, enquanto nos Estados Unidos aqueles que hoje consideramos brancos eram excluídos do convívio social por ter descendentes negros na família. O que pode parecer estranho é: pessoas de pele e expressões fenotípicas predominantemente brancas que possuem ancestrais negros não sofrem preconceito no nosso país, então porque motivo este necessita de reparação? Quais os tipos de injustiça uma pessoa branca sofre no Brasil? 
     Ao andar na rua (principalmente em Salvador), fica claro que muito raramente os olhos se entortam quando um jovem branco caminha pela rua (exceções aos casos onde a classe econômica é evidente). O que ainda podemos enxergar é: a afroconveniência não se restringem as cotas. Aqui em Salvador é bem fácil de enxergar: em um momento o candomblé (religião afrobrasileira) é visto com maus olhos pela sociedade devido a todo estigma construindo ao longo das gerações. No instante seguinte o acarajé é consumido por todo e qualquer indivíduo e mais: é comercializado por religiosos cristãos e protestantes (pasmem: na porta das igrejas!). 
     E os turbantes? As tranças nagô? Os instrumentos musicais? Aqui na Bahia é assim, tem hora que "aff, coisa de preto", e outras que "coisa de negro, amo!". Nada além do mecanismo do usar quando convém. Vamos nos recompor que o arsenal de hipocrisia é infinito. Se olhe no espelho hoje e veja cada marquinha do seu rosto, olhe o tipo do seu cabelo, olhe o tom da sua pele e diga pra se mesma: sou preta! Caso não seja, orgulhe-se também, e não deixe de respeitar o outro por ele não ser igual a você. O respeito é sempre a mãe de todos os momentos. Eu, enquanto mulher negra, vou continuar empoderando os negros que são afroconvenientes e desconstruindo os brancos que desrespeitam o que é nosso e nos usam de joguete. Bola pra frente! Poder aos negros! Igualdade a todos! Boas bandeiras a serem levantadas no século XXI não é?

Um beijo, um xêro, sintam-se abraçadxs <3 


 
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